Couchsurfing em Maplewood, NJ.

Depois de começarmos verdadeiramente a nossa viagem conforme já contamos por aqui, fomos rumo à nossa primeira experiência no Couchsurfing com nosso filho.

Em direção a Maplewood – New Jersey, em um ônibus absolutamente lotado, subimos com carrinho de bebê, duas malas, mochilas, o pequeno Yuri no colo e a pequena Sonia Lis na barriga da Erica – Uffaaaaa! Acabamos por tomar mais espaço no coletivo e por atrair alguns olhares de reprovação. Não tínhamos ideia de que o ônibus era basicamente só de passageiros, sem porta malas ou coisa parecida. E, para piorar, começava ali, por volta das 17h00, o horário do “rush” em que muitos trabalhadores estavam retornando para suas residências.

Para deixar a situação um pouco pior, estava caindo uma chuva torrencial, o trânsito em Nova York estava completamente parado, as janelas do ônibus estavam todas fechadas por conta do aguaceiro – o que deixou o interior do ônibus bem quente – e o Yuri começou a se incomodar muito e a chorar, pulando de um colo para o outro. Não preciso nem dizer que, nesse momento, os olhares repressores se voltaram em nossa direção, mas, dessa vez, também foram bem retribuídos, porque já estávamos cansados e estressados.

Depois de quase 2 horas intermináveis dentro do coletivo (em um trecho de aproximadamente 35 km!), finalmente chegamos ao ponto o qual nossa anfitriã indicou.

Rosine havia nos enviado toda a direção para irmos de ônibus até, segundo ela, bem perto de sua casa. Aquela seria mais uma de nossas experiências, a quarta como hóspedes para ser mais preciso, pelo Couchsurfing.

  • Couchsurfing é uma rede social muito bacana de hospitalidade baseada na internet. Nela o usuário pode se hospedar na casa de moradores locais, hospedar viajantes em sua casa, fazer amizades, pegar dicas ou simplesmente tomar um café com um nativo.

Pois bem, descemos do ônibus debaixo de uma tempestade fenomenal no cruzamento da Irvington Ave com Boyden Ave, na Rosehill Plaza. Tínhamos apenas um pequeno guarda-chuva para nos proteger. Imaginem o sufoco! No local em que desembarcamos não havia abrigo, comuns às paradas de ônibus no Brasil, mas tão somente uma placa indicativa pregada a um poste.

Obviamente escolhemos por tentar proteger o Yuri. Mas só em descer com carrinho, duas malas, mochilas, uma estando com um “barrigão grávido” e outro com um bebê nos braços, já dá para imaginar que seco nem o mestre Houdini conseguiria ficar, né?

A nossa esperança era de que a casa da Rosine estivesse, no máximo, a dois quarteirões de onde estávamos. Então, fomos andando na direção que ela indicou. Era um bairro de subúrbio, extremamente residencial, formado por pacatas casinhas sem muros que ladeavam ruas sem movimento de carros.

Logo no início já estranhamos bastante estarmos procurando a casa de número 152, sendo que estávamos na altura do número 867… Mas a esperança insistia em nos acompanhar, isto é, ao menos até a chegada ao terceiro quarteirão.

Foi quando o Yuri começou a chorar e decidimos nos abrigar embaixo da marquise de uma das casas. Passados uns cinco minutos, abriu a porta um jovem que estava entre assustado e incomodado e ficou nos encarando por alguns segundos. Nesse momento, para quebrar o gelo e tentar tranquilizá-lo, desculpamo-nos e perguntamos se ainda estávamos longe do nosso destino, ao que ele sinalizou positivamente, batendo a porta na sequência.

Continuamos nosso trajeto encharcados até o dedão do pé. Andamos cerca de 1 km até finalmente chegar ao que viria a ser o nosso lar pelos próximos 3 dias.

Finalmente, chegamos à casa de Rosine. Extremamente desconcertados pela primeira impressão que causaríamos, batemos à porta da nossa anfitriã.

Rosine era uma jovem senhora que já de cara demonstrou muita simpatia e solicitude. Espalhou vários edredons e toalhas pela sala, que tinha um piso de madeira escura, para que pudéssemos entrar com nossas bagagens e com a nossa “carcaça” completamente ensopada. Gentilmente, entregou-nos toalhas para que pudéssemos nos enxugar, ainda na porta de casa.

Chegamos com fome e pensamos em sair para conhecer algum restaurante ou barzinho próximo, apesar da chuva que não cessava e de perceber que estávamos em um bairro bem residencial. Mas Rosine logo falou que havia preparado algo para comermos. Ficamos curiosos!

Quando sentamos à mesa, nossa querida anfitriã nos serviu um ensopado de peixe. Fernando, naquela época, não conseguia gostar do paladar de qualquer peixe. Mas, para sua sorte, percebeu que o pequeno Yuri havia gostado demais do prato. Para não ficar constrangedor, tomou algumas colheradas e, em seguida, aproveitando uma ida de Rosine à cozinha, despechou sua sopa no prato do bebê. Na hora pensou: “Hoje durmo com fome!”, acreditando ser apenas o ensopado o menu daquela noite.

Entretanto, para surpresa de todos, fomos servidos com umas salsichas, acompanhadas por uma deliciosa tortilha de batatas, que Rosine havia aprendido a fazer com uma hóspede espanhola do couchsurfing.

Batemos um bom papo, pegamos algumas dicas do que fazer nos próximos dias em New Jersey e fomos dormir. Dormimos em um confortável colchão inflável automático – era quase uma cama queen size – no meio da sala de estar.

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Nossa querida anfitriã Rosine

No dia seguinte, quando acordamos, Rosine já havia saído muito cedo. Arrumamo-nos e saímos em direção a uma loja de conveniência próxima para o café da manhã. Depois, direcionamo-nos ao ponto de ônibus para explorar Jersey City, capital de NJ.

No trajeto para a parada, Yuri se divertiu com os enfeites de halloween nos jardins das casas da vizinhança. Avistamos um agradável parque que possuía um parquinho com balanços e esgorregadores, era o Maplecrest Park. Aproveitamos bastante o parque até começar uma forte ventania que indicava que uma tempestade se aproximava. Resolvemos, então, continuar nosso caminho para pegar o coletivo.

Antes de chegar à parada, Yuri “caprichou” e vazou a fralda… Havíamos esquecido de trazer uma muda completa de roupa na mochila (só tinha um short) e, como estava frio, resolvemos tentar improvisar algo em um Walgreens perto de onde estávamos para não ter que voltar para casa.

Lá, como já era esperado, não encontramos roupas. No entanto, vimos uma fantasia de ninja que cumpria com o que desejávamos: cobri-lo com calças e mangas compridas. Compramos!

Pegamos, enfim, o ônibus em direção à Newark Penn Station. De lá, pegamos um trem e descemos na Journal Square Station, no centro de Jersey City.

Uma curiosidade que observamos foi que a grande maioria da população de New Jersey era negra e que grande parte das mulheres, usavam perucas, geralmente loiras, unhas postiças e maquiagem pesada – eram extremamente vaidosas!

Percorremos sem rumo as ruas do centro de Jersey City. Entramos em lojas de 99c e outros departamentos, mas o que mais nos chamou atenção foram as diversas lojas especializadas em perucas e em lentes de contato. Entramos em uma delas e a Erica ficou maravilhada com a diversidade de opções. Saímos de lá com uma peruca loira.

Em seguida, pegamos um ônibus até Newport para ver aquele que é tido como o melhor visual da skyline de Manhattan. Exploramos boa parte da Hudson River Waterfront Walkway e ficamos realmente impressionados com a vista dos arranha-céus nova iorquinos. Conhecemos o parque Morris Canal Park, o Korean War Veterans Memorial e registramos vários trechos daquela região incrível ao entardecer.

Quando anoiteceu, procuramos algum lugar para comer. Comemos bem e degustamos cervejas especiais no Sátis Bistro.

Fizemos todo o trajeto de volta para a casa da nossa anfitriã, mas antes passamos pelo 9-11 Memorial, uma homenagem aos que morreram no ataque terrorista às Torres Gêmeas, bem em frente ao local em que se localizava o World Trade Center, do outro lado do rio Hudson. Rosine nos esperava ansiosa, já que saímos pela manhã e retornamos tarde da noite…

No dia seguinte, ao acordarmos, Rosine nos veio com um pedido inusitado. Como nos bate papos o Fernando falou que tinha formação em Artes Visuais, ela nos propôs reformar o estofado das cadeiras da sala de jantar… O Fernando, nessa hora, pensou em explicar que a formação em artes nada tinha a ver com reforma de estofado, mas ante à maravilhosa receptividade da anfitriã, limitou-se a dizer que nunca havia realizado serviço semelhante, mas que poderia tentar. Ela nos deu o tecido, tesoura e um grampeador elétrico. A Erica ajudou. E não é que o serviço ficou bom?! Rosine ficou bem satisfeita com o resultado. E nós adoramos esta experiência!

A próxima etapa da nossa viagem seria de motorhome. Havíamos reservado pela Star RV Rental (ou Road Bear RV – vide post “Motorhome: uma viagem dentro da viagem!”), que fica em Middletown/NJ. Só que não tínhamos atentado que não era tão perto de onde estávamos… De ônibus, Rosine falou que era muito complicado chegar, ainda mais com um bebê, uma grávida e com malas. Então pensamos em pegar um táxi, foi quando ela falou que teria grande prazer em nos levar até Middletown.

Foi uma longa e constrangedora viagem até a loja de aluguel de trailers – foram cerca de 50 kilometros, que durou por volta de 1 hora, pelo trânsito e por não termos encontrado de cara o nosso destino. Constrangedora não por Rosine, que sempre se mostrou extremamente amável, solicita e comunicativa, mas por darmos esse trabalho extra para a nossa anfitriã.

Chegamos à loja, despedimo-nos de Rosine levando extrema gratidão em nossos corações e, a partir daquele momento, seguiríamos nova etapa dessa viagem cheia de aventuras e boas surpresas.

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